Obsessões de 10 de abril
Uma vida mais Ghibli
1: Noodles caseiros
Prometi que ia escrever uma série sobre vida Ghibli e a primeira coisa que me veio à cabeça para trazer o conforto de um filme do Miyazaki para seu apartamento em Osasco é uma receitinha de noodles caseiros. Lamen, Udon, Sobá, tanto faz: nada traz mais felicidade do que uma chawan fumegante em uma quarta feira qualquer. Meus amigos sabem que eu sou das que encaram ferver uma carcaça de frango por oito horas para fazer um bom caldo base para o dashi, mas a verdade é que no dia a dia corrido é impossível. A ideia é trazer um pouco de magia Ghibli pra vida, não gastar um botijão de gás e a sanidade inteira na esperança de reviver uma cena de Ponyo.
Honestamente, eu tenho certeza que a mãe do Sosuke abriu uma cerveja pra ela e ferveu um belíssimo lamen instantâneo, fatiou um presunto e tacou um ovo cozido em cinco minutos pra alimentar aquela criança esquisita que o filho trouxe pra casa. Bom pra ela e bom pra você, porque vou propor um meio termo aqui entre o miojão e um lamen artesanal da liberdade: tenho gostado de comprar caldo de osso (tutano ou frango) pronto no mercado. Dois litros custam uns quinze reais. Isso mais um bom dashi ( pode comprar pronto em qualquer mercado japonês ou fazer rapidinho em casa em dez minutos) misso e um macarrãozinho de qualidade + ovo cozido, cebolinha e milho na manteiga fazem um excelente jantar rapidinho. Vou fazer essa semana que promete esfriar. Para os mais comprometidos com a ideia e que moram em SP, indico fortemente o curso de um dia da Marisa Ono. A receita e o método dela são infalíveis.
2: Prestar atenção em matos
Adoro essa cena aqui de Totoro:
Adoro como cada florzinha do terreno é pintada com atenção. Sempre me pareceu que a estética do estúdio simula o olhar cuidadoso de alguém sensível para a beleza do cotidiano, e esse exercício de observar o mato da calçada, praça ou terreno baldio é algo que eu fazia quando criança e faço até hoje.
Não por acaso, um dos meus quadros preferidos é esse aqui:
A moita de mato de Albrecht Dürer ( 1503)
Você pode colher uma ou outra sem muita cerimônia e secar entre as páginas de um livro, desenha-las em um caderno ou até no Ipad, como fez aqui o David Hockney.






